segunda-feira, 24 de março de 2008

O medo do espelho!

Você tem medo de se olhar no espelho? Se você se olhasse agora, qual é a imagem que você descreveria? Até a alguns dias atrás, eu diria para você que não me agradava em nada o que eu via. Isso tudo por causa do medo.

O medo me impediu de me olhar, de me sentir, de me tocar. Eu preferia a dúvida, a certeza. Nada de mal poderia acontecer. E para que se olhar, se a vida é infinita. Para que perdoar amigos, se você pode, a todo instante, renová-los. Para que se preocupar com você, seu tempo é para os negócios, para o trabalho, para a família e não para ser gasto, com simples questões da natureza humana. Aceite! Você está com quase trinta anos.

Tanto descaso, só serviu para a vida pedir um pouco mais de atenção. Uma dor, um medo mais forte, mais insuportável. O medo de não poder viver mais com medo. Pode parecer bobagem, mas eu me olhava e me sentia impotente. O chão desapareceu, os negócios, o trabalho, a família, não foram mais peças chaves naquele momento. A única coisa que eu sabia pedir era, desesperadamente, para que as minhas dúvidas, não fossem certezas.

A vida é tão incrível e tão sábia. Que me mostrou, nestes amargos dias, que amigos não são descartáveis ou objetos de troca, como em lojas de liquidação. A prova veio no pior dia da minha vida, quando já não sabia mais o que era medo e o que era desespero. Neste dia, ganhei dois presentes, adoráveis presentes. Porém, o maior deles, foi o abraço de um amigo. E a certeza, de que eles, são insubstituíveis.

Mesmo longe, são presentes no sentimento. Nem um oceano foi capaz de estragar tudo isso. Fechar os olhos, e sentir um carinho, realmente não tem preço. Acho que nunca rezei tanto. Nestas horas, eu só pedia uma chance para construir uma família, ter filhos, perdoar e ser perdoada. O mais duro, foi olhar para as pessoas me amam e ver que elas escondiam de mim, a pior das sensações, o medo.

Nos últimos dias antes do resultado, pedi aos céus que me desse uma prova de que eu estava bem. O pior foi encarar como somos homens de pouca fé. Tive por duas vezes, a confirmação em sonho, de que eu não tinha nada, mas, só respirei aliviada quando abri o resultado e pude ver como os meus próprios olhos, o que já havia sido confirmado em sonho.

O medo de olhar no espelho e ver quem realmente somos. Isso que dá medo. Hoje, a vida tem um novo significado. Não que antes não tivesse. Mas, é que as pequenas coisas, aquelas medíocres, não vão ocupar mais espaço na minha vida. Quero deixar livre, para entrar as coisas que realmente me farão crescer, pessoalmente e espiritualmente. Não é saúde, que trás felicidade, mas é a felicidade que nos dá saúde, que nos dá a vida e a condição de sermos cada vez mais felizes.

Então, aproveite essa lição e se olhe, se toque, se permita ver além do próprio nariz. E aprenda que nós, somos como o vidro, qualquer esbarrão... quebra.