sexta-feira, 5 de março de 2010

Princesas do século XXI


Somos invencíveis, pode crer! Você, provavelmente, já deve ter ouvido essa canção, afinal de contas, qual menina da década de 80, não cresceu vendo e ouvindo o “Xou da Xuxa”. Tempo bom! Tempo em que acreditar nos sonhos valia à pena e não custava nada.


A canção ainda insistia em dizer (e provar) que tudo podia ser, só bastava acreditar... Com o passar dos anos, a vida – infelizmente – só fez provar que as coisas não são bem assim. O fato de querer tudo, nem sempre basta.


Essas ingênuas crianças que cresceram nesse mundo de fantasia, hoje são grandes mulheres, talvez com menos certeza de que são invencíveis, mas que ainda buscam força para lutar. O problema é que nem sempre alcançamos essa força para ganhar a luta.


As mulheres de hoje vivem desafios constantes com a carreira profissional (o desejo de conquistar reconhecimento e o topo da hierarquia) e a vida pessoal, o dilema e a ansiedade de achar a sua metade da laranja, a tampa da panela.


As pequenas grandes damas do século XXI buscam – todos os dias – a sorte de serem felizes. Uma batalha a ser vencida todos os dias, uma corrida para um caminho sem ponto final. A vontade de ter tudo o que quiser, com a certeza de que o “cara” lá de cima vai nos dar, afinal de contas, juntas não existe mal nenhum.


Quantas certezas, quantas dúvidas. Quantas indecisões e imprevisões nos perseguem todos os dias. Até que um dia, nada mais tem uma razão e um por quê. Por que tem que ser assim? Essas incríveis mulheres deveriam ser – verdadeiramente – invencíveis e não apenas histórias de conto de fadas.

Esse é um desabafo, uma revolta; uma bandeira levantada para alertar a todas nós, que podemos sim ser vencidas pelo imprevisto. Tudo o que a gente quiser o cara lá de cima vai nos dar (com certeza!), mas precisamos acreditar que nós somos condutores das nossas vidas e, por isso, todo cuidado é pouco.


Nos brilhantes anos de realeza, é - praticamente - impossível acreditar que o sonho chegou ao fim. Mas, para todas as princesas da vida real, aqui vai o meu pedido – NÃO DESISTA. Podemos não ser invencíveis, mas somos mulheres – somos fortes.


As minhas palavras traduzem o que eu sinto agora, uma vontade incrível de soltar para o mundo, que independente da idade, do sexo e dos sonhos, nós somos todas vulneráveis, expostas aos riscos e aos medos, mas que mesmo assim, acreditamos que, como em qualquer história, no final estará escrito “Felizes para sempre”.


The end!

*essa é uma homenagem a uma grande amiga, que teve um AVC com 28 anos no auge a sua realeza. Para ela, meu pedido – NÃO DESISTA! No final da história todas as princesas serão felizes para sempre, com o seu príncipe encantado no cavalo branco. Assim seja!

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Tempo de Viagem

Todos os dias eu desejava essa viagem e buscava – incansavelmente – o momento que me levaria ao lugar em que os meus sonhos seriam despertados. Desejava revelar as imagens mais perfeitas da minha vida, juntamente com as pessoas que amo.
Nos dias que antecediam a viagem, eu ficava olhando atentamente os destinos; talvez por imaginá-los como uma rota de fuga, um meio de me levar para longe do medo que me assombrava. Calculava cada momento, traçava os planos, checava a temperatura e contava o tempo – que insistia em não passar.
Precisava de algum jeito trair o destino e queria de alguma forma um novo cenário para a minha vida. Pesquisava a trilha sonora que acompanharia essa viagem e os figurinos que apareceriam nas imagens e que serviriam – mesmo depois de anos – como referência desse tempo.
Desejava que esse tempo de viagem fosse – simplesmente – perfeito. Não era possível que alguma coisa de errado aconteceria, afinal de contas, o meu plano era trair o destino, de modo que ele jamais pudesse reconhecer a minha felicidade e, com isso, aprontar para cima de mim.
Repetia toda hora que não queria, mais uma vez, viver aquela experiência horrível, por isso, os meus planos eram perfeitos, uma verdadeira rota de fuga para a felicidade.
Cada risco no calendário representava um passo, um caminho em busca das mais perfeitas imagens e dos mais lindos cenários. Trazia as pessoas - atores coadjuvantes dessa história - para o set de gravação junto comigo e ensaiava com eles os passos, os movimentos, as rotas e cada roteiro que trouxesse para perto de nós, a verdadeira perfeição. Não tinha porque dar errado!
Fecho os olhos e vejo, como se fosse hoje, o brilho nos olhos dos atores iniciantes. Era possível sentir de longe o frio na barriga e o calafrio da estreia. Eu podia jurar para mim mesma que eu teria, em minhas mãos, o controle da situação. Seria superior a tudo, e todos estariam sobre a minha proteção e guarda.
Sabia que teria a direção de cada cena e captaria as melhores imagens como sonhei todos os dias. Dirigiria cada capítulo, instruindo os meus atores onde irem e o que falarem, afinal de contas, já conhecia aqueles belos caminhos.
Porém, saber de tudo não foi suficiente. O destino foi mais esperto (e mais perfeito) que os meus planos e entrou em cena. A lição trazida por ele foi me mostrar que – independente – de onde eu estivesse, se o meu objetivo fosse conquistar a felicidade, eu teria que superar os obstáculos. Não há roteiro perfeito, mesmo com ensaios. São nos improvisos que se destacam os melhores atores e saem às melhores cenas.
Nesse tempo de viagem conheci a força saiu de onde eu menos esperava e da forma mais surpreendente. O medo que me assombrava voltou - exatamente - no mesmo tempo, mas veio para me provar que não adiantava fugir, pintar a rachadura (se não arrumar o estrago, uma hora ou outra, a rachadura abre de novo).
No final de tudo, essa história ficou perfeita e as imagens que ficaram – mesmo com os obstáculos – foram as mais lindas possíveis e o calor acobertou o frio. Os atores coadjuvantes ganharam o Oscar e a atriz principal o troféu do destino, que provou – mais uma vez – que é superior a qualquer rota de fuga.
Em tempo de viagem, a maior lição tirada disso tudo foi que somos dirigidos por um único Diretor e é a ele que devemos respeitar e pedir - sempre - a suprema proteção.

Pr'a você, uma boa viagem!