sexta-feira, 19 de março de 2010

Um verdadeiro reality show

Hoje resolvi escreve sobre a vida, não sobre os seus desafios e contratempos, mas com uma visão mais fora do corpo (surreal), se é que me entendem.
Hoje meus olhos são semelhantes à lente de uma câmera, com o poder de captar imagens e áudios que, no dia a dia, não são possíveis de reconhecer e absorver tantas informações ao mesmo tempo. Talvez seja efeito desses atuais (e frequentes) realities shows exibidos pela TV.

Os realities shows são programas televisivos que expõem a vida real de pessoas – normalmente – anônimas, com o objetivo de mostrar ao público o dia a dia delas e todo o tipo de sentimento, como: angústias, brigas, frustrações, dramas, etc.

Não é à toa que milhares de pessoas acompanham esses programas, não somente pelo simples prazer de “espiar” a vida dos outros, mas pelo efeito comparativo que programas como estes nos despertam, afinal de contas, a nossa vida real é um – verdadeiro – reality show.
Vivemos diariamente em pequenas comunidades como o ambiente de trabalho, o condomínio, o grupo de amigos e por isso, somos “treinados” a conviver (ou a sobreviver) com pessoas de diferentes credos, religiões, comportamentos e objetivos.
É fato que diante dessa diversidade, intrigas, brigas e discussões passam a ser frequentes, principalmente, por que essas comunidades são – em sua maioria – compostas por seres humanos, seres pensantes, questionadores e, cada vez mais egocêntricos.
Porém, em contrapartida, os meus olhos podem ver – a exemplo desses realities shows – como também somos capazes, em muito pouco tempo, de criar afinidades com as pessoas, mesmo que diferentes de nós. Diante de um espaço muito limitado, somos “obrigados” a conviver e, por isso, sentimentos confusos como esses, passam a ser tão presentes.
O fato de todos os dias estarmos juntos, acompanharmos ações e reações, estarmos presentes em festas, comemorações, vendo cada uma das pessoas que compõem essa comunidade evoluir (ou não), ser reconhecido (ou não), chorar, rir, ligar e desligar o ar-condicionado, nos torna – diariamente – mais próximos, apesar das diferenças.
Sabemos o que não é novidade, que afinidade é um comportamento bipolar, um dia você tem, outro dia não. Por isso, no reality show da vida comum, existem pessoas mais bem relacionadas com alguns do que com outros. Talvez pelo fato de uns estarem na casa de luxo e outros no “puxadinnho”? Sei lá, ainda não achei nenhuma definição concreta de afinidade que pudesse responder essa dúvida.
A nossa vida vigiada nos permite essa comparação, principalmente, diante de um paredão. Hoje é dia de eliminação! A diferença, nesse caso, é que quem está na berlinda são vários amigos. Não que estejam saindo por indicação da casa (seria pelo voto do líder?), mas estão saindo por que há outra vida real os esperando lá fora. Um novo reality show!
Os meus olhos turbinados e carregados de imagens revelam que nos cantos desse nosso espaço ladeados por computadores, e-mails, armários, cadeiras e um frio insuportável, tem pessoas conversando e se questionando o tempo todo: “porque tinha que ser assim”.
Quanto mais próximo o dia da eliminação, maior a angústia e a certeza de que é possível sim ter afinidades em tão pouco tempo, mesmo com todos os defeitos e diferenças aparentes. Vamos sobreviver após a eliminação? Não sei. Só tenho certeza de que vamos morrer de saudades e a partir agora teremos um grande vazio.
Como afirmei no título do texto: “A vida é um – verdadeiro – reality show”, cheio de surpresas, revelações, afinidades, brigas e conquistas.
No dia fatal não estarei aqui, o pay-per-view estará fora do ar (ainda bem!) - não sei com seria ver a eliminação da equipe de luxo. Depois de ver sair tantos amigos ao longo desse programa, só uma coisa me conforta: “Quem fica por último, ganha um milhão”.
Seja com um milhão ou não, espero ver vocês nas próximas edições dessa vida confinada e cheia de surpresas e espero, de verdade, encontrá-los em outros programas bem mais maduros profissionalmente. Pessoalmente, desejo (e espero) que se mantenham com a ingenuidade de uma criança, por que somente elas prometem ainda em suas inspirações infantis, que amizade é pr’a vida toda.



Agora deem licença, mas vou continuar espiando...