Este artigo foi publicado no jornal da região no dia 30 de maio de 2008. Espero que gostem! E, lógico, ajudem a protestar!
Há algum tempo tenho pensado em escrever um artigo para expor minha indignação com "homens disfarçados de guardiões”. Refiro-me àqueles que rondam os nossos carros, nos “ajudam” prontamente a estacionar naquele minúsculo espaço entre um carro e outro, e tão rapidamente nos abordam com a típica ladainha de quem (desculpe!) não tem o que fazer:
- Dez reais, por favor.
- Dez reais, por favor.
Até onde consigo enxergar, só vejo ruas públicas, postes de iluminação, cachorros latindo e o que vejo mais próximo dos meus olhos é somente uma festa na cidade. Por favor! Será que me enganei ou rua pública virou estacionamento privado?
– Senhor, lamento!
Mais uma vez, ouço, indignamente:
- O pagamento é agora!
Reluto, fecho os olhos por um instante e, novamente, me deparo com uma via pública. Seria essa nossa cidade terra de ninguém? Como podemos sair com a nossa família e brutalmente sermos atingidos por uma repressão fria e ameaçadora?
Na última grande festa solidária da cidade, todas as boas ações foram revertidas para menores carentes. É a sociedade preocupada em cuidar dos nossos jovens. Preocupada em torná-los cidadãos éticos e, acima de tudo, homens de bom coração.
Mas, me diga: o que fazer com aqueles que já não tem mais jeito? Como podemos ser ainda uma sociedade preocupada e engajada com as ações sociais e, espantosamente ao mesmo tempo, tão conivente com atitudes maléficas à formação de um cidadão?
Para ser mais direta com você, caro leitor, escrevo em desabafo. É um movimento do CHEGA!
Como podem homens de lei, representantes do município, ser congratulados com aplausos em uma festa solidária, quando em tempo real, famílias são extorquidas por falsos guardiões, que em rua pública conseguem cobrar para “vigiar” o seu carro?
Revoltada por ser cobrada, tão surpreendentemente, ainda fui ameaçada a encontrar o meu carro fora de seu estado normal (em algum sentido).
Oh! Meus caros políticos, sem falsa demagogia, gostaria de lembrá-los que quem merece GRANDES aplausos somos nós, homens de bem. Viver com baixos salários, sustentar família, colaborar com o próximo e ainda, ser cobrado por estacionar em ruas públicas. Só mesmo sendo um herói!
Para a informação de todos, não paguei a extorsão. Retirei o meu carro, mas ainda aproveitei a festa que, de forma brilhante, foi preparada. Entretanto, outros “cidadãos”, a cada quarteirão ainda pagavam para terem seus carros "vigiados" pelos “guardiões”. O mais lamentável foi ver, pouco tempo depois, estes entregarem a proteção dos adoráveis bens nas mãos do único que pode nos proteger das garras dos homens.
